JESUS é DEUS:
Provas da Divindade de Jesus por
algumas Construções oriundas do Texto Grego
Comumente a natureza divina de
Cristo tem sido debatida no âmbito do “texto prova” (falácia), por
fundamentações oriundas da Teologia Sistemática ou por direcionamentos de
alguns historiadores (e outros). Entretanto, devemos levar em conta a análise deste
tema teológico, a partir do texto sagrado com suas considerações expostas. Neste
ensaio, a proeminência passará por este âmbito com a singularidade de certas
construções oriundas do texto grego. Desta forma, defenderemos a divindade de
Jesus, trabalhando alguns textos de forma laboratorial, para que possamos entender
de forma introdutória a metodologia em voga (“dimensão textual da Teologia”).
Veremos, exegeticamente, alguns textos propostos
por Carson (The King James Debate: A Plea for Realism, p.48). Destes,
quatro serão alvos de nossa análise. As redações são apresentas da seguinte
forma: [A] 2Pe.1:1: ... ἐν δικαιοσύνῃ [ASKS] τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ σωτῆρος Ἰησοῦ Χριστοῦ ...
“na/pela justiça de Deus e salvador Jesus Cristo”. [B] Tt.2:13: ... τῆς δόξης [ASKS] τοῦ μεγάλου θεοῦ καὶ σωτῆρος ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ... “da glória do grande Deus e nosso Salvador
Jesus Cristo”; [C] 2Ts.1:12:
... κατὰ [ASKS]
τὴν χάριν τοῦ
θεοῦ ἡμῶν καὶ κυρίου Ἰησοῦ Χριστοῦ “... segundo a
graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo”. [D] Hb.1:8:
... πρὸς δὲ τὸν υἱόν· ὁ θρόνος σου ὁ θεὸς εἰς τὸν αἰῶνα τοῦ αἰῶνος... “acerca do Filho: O teu trono, ó
Deus, é para todo o sempre”. Estas
redações tem certas polaridades que produzem paralelos importantes, por esta
razão, busquemos estes apontamentos quanto as suas devidas conceituações.
Trabalharemos, inicialmente, estas passagens somente pela
opção A (... ἐν δικαιοσύνῃ [ASKS] τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ σωτῆρος Ἰησοῦ Χριστοῦ ... “na/pela
justiça de Deus e salvador Jesus Cristo”), por causa do espaço, de modo que, possamos ter uma
ideia do que ocorre nos outros textos também (B e C). A característica plausível em voga passa pela
regra que envolve o artigo grego [ASKS]. Isto se deve ao fato afirmado de terem as sentenças construções
semelhantes em que o artigo aparece com múltiplos substantivos conectados
por um καί (kaí - “e”, ASKS).
Para entendermos
melhor a questão, foquemos na constituição da regra oriunda do grego, a qual
funciona como base para as delimitações interpretativas. Desta forma, por
que tal construção é possível? Para respondermos tal problemática, teremos
que passar por uma das questões mais complexas do grego do NT: o uso do artigo.
Tal perspectiva passa pela constatação de que o artigo é usado mais do que
qualquer outra palavra no NT, cerca de 20.000 vezes (KOSTENBERGER; MERKLE;
PLUMMER. Going Deeper with New Testament Greek, p.150). Além disso, as
inúmeras possibilidades quanto aos usos (quando presente ou ausente, porquanto
não existe artigo indefinido em grego) que são exaustivos (ver em ROBERTSON. Grammar of The New Testament
Greek New Testament in The Light of Historical
Research,
pp.754-796). Com esta consciência nosso interesse
está relacionado ao entendimento da Regra de
Granville-Sharp (filantropo inglês e abolicionista,1735-1813). De que
forma, funciona?
Basicamente,
como descrito anteriormente temos dois substantivos conectados por um καί (kaí - “e”, ASKS),
tendo o mesmo gênero e número (mas, também com gêneros diferentes, LXX,
Is.29:13). De outro lado, a repetição do gênero que envolve o artigo e o caso,
se tornam necessários e apropriados. Este artigo é omitido no segundo
substantivo, funcionando assim como aposicional (BLASS; DEBRUNNER. A Greek Grammar of The New
Testament and Other Early Christian Literature, pp.276,277). Observemos, propriamente a regra de Sharp, a partir de
sua fala: “Quando a partícula καί (kaí - “e”, ASKS),
conectar dois nomes no
mesmo caso, [ou seja, nomes (substantivo, adjetivos ou particípios) de
descrição pessoal, referindo-se a ofício, dignidade, afinidade ou conexão, atributos,
propriedades, ou qualidade boas ou más], e se o artigo ó, ou qualquer uma de
suas formas declináveis, preceder o primeiro nome ou particípio, e se não
repetir-se antes do segundo nome ou particípio, o último sempre se relacionará
à mesma pessoa expressa ou descrida pelo primeiro nome ou particípio. Ou seja,
denotará outra descrição ao nome inicialmente citado” (SHARP. Remarks on The Uses of The Definitive
Article in The Text of The New Testament containing proofs of the Divinity of
the Christ, p.39).
A síntese da regra pode ser vista assim: “em outras palavras, na
construção ASKS, o segundo nome refere-se à mesma pessoa mencionada com o
primeiro nome quando: não for impessoal; não for plural e
não for nome próprio” (WALLACE,
pp.271,272). Há pelo menos 80 passagens no NT que se enquadram nesta construção
(algumas: Mc.6:3; Jo.20:17; Ef.6:21; Hb.3:1; 1Pe.1:3; Ap.1:9). Vale uma
ressalva aqui, porquanto por ter sido mal compreendido e [mal] aplicado, é
imperativo reconhecer que a regra de Sharp só é conclusiva com substantivos
singulares (não próprios), adjetivos substantivados ou particípios. Nos casos
em que todos os restrições acima não forem obtidas, ainda haverá alguma ligação
conceitual entre os substantivos, mas podem ou não se referirem à mesma
entidade (MATHEWSON; EMIG. Intermediate Greek Grammar, Syntax for Students of The New Testament, p.108).
Uma vez aplicada esta regra a 2Pe.1:1 temos expostas
certas conclusões importantes. West afirma: “a expressão ‘Deus e nosso
Salvador’ está em uma construção no texto grego que exige que traduzamos:
‘nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo’, expressão que mostra assim que Jesus
Cristo é o Deus do cristão” (Wuest. Wuest's word studies from the
Greek New Testament: For the English Reader, 2Pe.1:1). De outro lado, Bauckham questiona: “esta frase se
refere a duas pessoas (“nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”) ou uma (“nosso
Deus e Salvador Jesus Cristo”)? A ausência do artigo antes de σωτῆρος (“Salvador”)
favorece o último, mas não é decisivo” (BAUCKHAM. Word Biblical Commentary:
2 Peter, Jude, p.168). Ainda assim, ele admite que a grande maioria pensa
que θεοῦ (“Deus”) é aqui usado para Jesus, pois: (1) em outra
parte da carta o escritor usa a frase similarmente construída τοῦ κυρίου ἡμῶν καὶ σωτῆρος Ἰησοῦ Χριστοῦ (“nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”: 1:11; 3:18; cf.
2: 20; 3:2), onde não há dúvida de que toda a frase se refere a Jesus Cristo.
Quando, no entanto, este escritor deseja distinguir as duas pessoas, em 1:2, a
construção é diferente: τοῦ
θεοῦ καὶ Ἰησοῦ τοῦ κυρίου ἡμῶν (“de Deus e Jesus nosso Senhor”). (2) A doxologia
dirigida a Cristo em 3:18 é consistente com uma cristologia na qual θεός (“Deus”)
pode ser usado para Cristo (BAUCKHAM. Word Biblical Commentary: 2 Peter,
Jude, p.168). Portanto, como destaca Schreiner: “a atribuição de ‘Senhor’
com referência a Jesus Cristo implica em sua divindade, uma vez que o mesmo
título também se refere a Deus: 1:2,8,11,14,16; 2:20; 3:18, e o Pai é chamado
de “Senhor” em 2:9, 11; 3:8,10, 12, desta forma, não há dúvida de que tanto o
Pai como Cristo são chamados de “Senhor”. Tal título para Cristo aponta para a
divindade de Jesus (SCHREINER. 1,2 Peter, Jude; The New American Commentary,
p.287).
Falta-nos ainda pensar Hb.1:8 (C). Este
caso parece ser incomum, porquanto tem propriedade diferente (casos diferentes).
A redação de Hb.1:8 passa por uma inserção em algumas versões, porquanto anexam
o verbo “diz” não presente no grego: “... mas acerca do Filho (πρὸς δὲ τὸν υἱόν·): O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (θρόνος σου ὁ θεὸς εἰς τὸν αἰῶνα τοῦ αἰῶνος).
O fenômeno textual em voga funciona num princípio de
intertextualidade, de maneira que o autor de Hebreus se apropria do Sl.45:6,7.
Assim, a aplicação deste Salmo ao Filho é consistente com a indicação de que
deve receber a glorificação dos anjos (v.6). O escritor não hesita em pensar
em Jesus, como objeto legítimo de adoração, uma passagem em que é tratado como
Deus. É provável que a citação tenha sido aplicada a Cristo na liturgia da
Igreja primitiva. Ainda assim, o interesse primário do escritor na citação não
é a predicação da divindade, mas a natureza eterna do domínio exercido pelo
Filho. A implicação de que o Filho compartilha a qualidade de divindade
apenas intensifica a referência ao seu governo eterno e aguça o contraste entre
Ele (Filho) como imutável e os anjos mutáveis. Neste contexto, a frase εἰς τὸν αἰῶνα τοῦ αἰῶνος, “para todo o sempre”, sugere a qualidade de
imutabilidade. A ênfase do escritor sobre a natureza eterna do Filho é a
primeira indicação de que a eternidade é para Ele uma categoria cristológica
que assumirá crescente importância no centro do discurso (cf. 5:5; 6:20;
7:3,17,21, 24,28 – LANE. Word Biblical Commentary: Hebrews 1-8, p.29).
Precisamos
destacar também o principal problema textual deste verso, o qual diz respeito à
leitura de αὐτοῦ (“dele”, p46) para σου (“teu”, ver em: ELLINGWORTH. The Epistle to the Hebrews : A
commentary on the Greek text, p.122). Supõe-se comumente
que a força da citação está no título divino (ὁ θεός) que, como se afirma, é aplicado ao Filho. Parece, no
entanto, de toda a forma do argumento, estar mais na descrição dada em relação
ao ofício e investidura do Filho. Elementos comparativos em voga chancelam tal
perspectiva. Os anjos estão sujeitos a mudanças constantes, o Filho tem domínio
para todo o sempre; eles trabalham por meio de poderes materiais, Ele, encarnado
– cumpre uma soberania moral, coroado com uma alegria única. Nem o leitor
poderia esquecer o ensino posterior do Salmo sobre a noiva real e a raça real.
Seja qual for a maneira que ὁ
θεός seja tomada, a citação estabelece a
conclusão que o escritor deseja tirar quanto à diferença essencial do Filho em
relação aos anjos. De fato, pode parecer a muitos que a aplicação direta do
Nome divino ao Filho obscureceria o pensamento (Westcott .The Epistle to the
Hebrews the Greek text with notes and essays, p.26). Como dito esta
construção aparece com um ordenamento diferente, ainda assim, temos uma plausibilidade,
passando por elementos textuais mais abrangentes.
As pretensões deste ensaio estão limitadas pelo seu espaço. O objetivo em voga é trazer uma síntese, para que possamos constituir uma boa provocação quanto a necessidade da pesquisa. Ainda que tenhamos passado bem de relance as questões tratadas, foi possível observar que existe um longo caminho a percorrer, de modo que, pensemos a divindade de Cristo pelo texto grego. Até o presente momento não temos elementos antitéticos para esta tese teológica. Evidente que esta afirmação leva em conta o princípio metodológico aqui usado. Em suma: Jesus Cristo é Deus.
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